No fim da balada é que muitas vezes se reconhecem os verdadeiros parceiros, aqueles que não vão deixá-lo na mão - ou a pé. Deveria ser assim com o Táxi Amigão, iniciativa lançada há pouco mais de dois meses pela Prefeitura de São Paulo, que prevê desconto de 30% nas corridas entre 20 e 6 horas nas noites de sexta-feira, sábado e vésperas de feriado.
O que se vê nos bairros mais badalados da cidade são veículos mal sinalizados, taxistas que não cumprem o horário e pouca divulgação. Alguns clientes esperam até duas horas pelo serviço.
Queixas se repetem em seis bairros percorridos pelo Estado: Vila Madalena, na zona oeste; Jardins e Moema, na sul; Bela Vista, no centro; Tatuapé, na região leste; e Parada Inglesa, na norte. A reportagem passou por 11 dos 79 pontos do Táxi Amigão e ouviu queixas como a da farmacêutica Mariana Gava, de 29 anos. "Eu não sei onde ficam", contou a jovem, enquanto tentava avistar os veículos do Amigão do outro lado da Rua Mourato Coelho, na Vila Madalena.
Em uma hora e meia, pelo menos 40 táxis passaram por ali. Desses, 12 eram Amigões, mas nenhum tinha o luminoso verde, como determina a Prefeitura. Em toda a cidade, dos 22 veículos identificados pelo Estado, só 5 respeitavam todas as normas. Os demais tinham luminosos tão claros que a diferença só era perceptível ao lado de um táxi comum. "A lâmpada fica acesa e gasta a cor", justificou um taxista no ponto da Avenida Luís Dumont Villares com a Rua São Leôncio, na Parada Inglesa. O logotipo de identificação também não estava visível. "Caiu."
Os taxistas que aderem ao programa rodam com bandeira 1 e, em compensação, têm prioridade em eventos. Eles são obrigados a oferecer o desconto durante toda a madrugada, o que raramente ocorre, pois não há respeito ao horário. No domingo passado, à 1h50, um passageiro apertou o passo para entrar antes no único Amigão na esquina da Rua Haddock Lobo com a Alameda Tietê, nos Jardins. "O senhor se importaria de dividir com ela?", indagou o motorista, destacando que havia outra cliente. "É que eu não volto mais hoje."
"Depois de 0h30, dificilmente tem táxi aí", completou José Almeida, que trabalha na pizzaria na frente do ponto. "É o mesmo pessoal que roda o dia inteiro, desde as 6 horas. Às 23 horas, eles começam a ir embora."
Em Moema, o ponto da Rua Canário com a Avenida Sabiá estava vazio. "Espera no ponto, mas dá sinal para qualquer um. Aí, pede o desconto", recomendou a funcionária de um estacionamento. Em 25 minutos, não passou nenhum táxi.
A reportagem telefonou para todas as cooperativas cadastradas no programa. Apenas a atendente da Associação Apolo perguntou origem e destino para informar o tempo de espera - 30 minutos. "É melhor agendar com umas duas horas de antecedência", afirmou o atendente da Fast Táxi Transporte.
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